O roteiro é sempre o mesmo: quando é o Corinthians, a régua desce pesada. Em julgamento nesta sexta-feira, o STJD não economizou — puniu, multou e ainda tirou mando de campo por causa dos incidentes no clássico contra o Palmeiras, na Neo Química Arena.
Mas a tal “justiça desportiva” segue seletiva. Dentro de campo, lances no mínimo questionáveis envolvendo Gustavo Gómez e Flaco López passaram batido. O mesmo gesto que rendeu punição ao volante André foi ignorado quando veio do outro lado. Se a regra existe, deveria valer para todos — ou virou peça decorativa?
E fora de campo? Segurança do Palmeiras fazendo papel de provocador, bloqueando acesso ao vestiário do Corinthians e gerando tumulto com agressão. Resultado prático: zero consequência relevante pra quem iniciou a confusão.
Enquanto isso, a conta veio inteira pro Timão:
- André: 1 jogo de suspensão (gesto obsceno)
- Matheuzinho: 4 jogos (expulsão por soco)
- Hugo Souza: 2 jogos (por falar o óbvio sobre a arbitragem)
- Breno Bidon: absolvido
- Luiz Fernando (prep. goleiros): absolvido
Para completar o pacote:
- R$ 2 mil por atraso
- R$ 10 mil por drone e linha de pipa
- R$ 20 mil por confusão
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R$ 80 mil + perda de mando por injúria racial de torcedor
Total: R$ 112 mil + um jogo fora de casa
Agora o detalhe mais curioso: arbitragem e VAR? Intocáveis. Nenhuma observação, nenhuma punição, nada consta. Flaco López e Gustavo Gómez? Nem cartão. Como se o jogo tivesse sido um exemplo de disciplina.
Hugo Souza ainda foi punido por dizer, em entrevista, que o árbitro “apitou para um time só”. E aí fica a pergunta: criticar o que todo mundo viu virou infração agora? Punir a fala parece mais tentativa de abafar o erro do que corrigir o problema.
No fim, o que fica é a sensação clara: quando o Corinthians está no banco dos réus, o julgamento é rápido, duro e detalhado. Quando é o outro lado, o silêncio fala mais alto.
Coincidência? Difícil de engolir.